· Trusts & Estates  · 6 min read

Planejamento sucessório para estrangeiros que vivem nos EUA

Titulares de green card e de vistos enfrentam regras próprias de imposto sobre heranças, limites para o cônjuge e questões internacionais. Veja o que muda para quem não é cidadão.

Titulares de green card e de vistos enfrentam regras próprias de imposto sobre heranças, limites para o cônjuge e questões internacionais. Veja o que muda para quem não é cidadão.

Se você tem green card ou um visto de longa duração, o seu plano sucessório não pode simplesmente copiar o que o vizinho cidadão americano assinou. O imposto federal sobre heranças (estate tax) trata você pelo domicílio, e não pelo status migratório, a dedução conjugal ilimitada desaparece se o seu cônjuge sobrevivente não for cidadão, e os bens que você ainda tem no seu país de origem obedecem à lei sucessória daquele país. O planejamento sucessório para estrangeiros consiste, em grande parte, em identificar quais dessas regras se aplicam a você e redigir os documentos de forma a contorná-las antes que elas custem dinheiro ou controle à sua família.

O planejamento sucessório para estrangeiros começa pelo domicílio

O IRS pergunta se você tinha domicílio nos Estados Unidos na data da morte, ou seja, se morava aqui sem a intenção atual de ir embora. O green card é uma prova forte de domicílio, mas não definitiva, e quem tem um visto de longa duração, com casa, família e negócios aqui, também pode ser considerado domiciliado. Quem é domiciliado nos EUA é tributado sobre os bens no mundo inteiro e recebe a isenção federal integral. Quem não é domiciliado é tributado apenas sobre os bens situados nos EUA (U.S.-situs assets), como imóveis aqui e ações de empresas americanas, mas com uma isenção legal muito menor, que não é corrigida pela inflação há décadas. A diferença de resultado é grande o bastante para que tratemos do domicílio em primeiro lugar em todo plano para estrangeiros elaborado pela nossa área de Trusts e Sucessões.

Alguns países têm tratados com os Estados Unidos sobre impostos sucessórios ou sobre doações que alteram as regras de localização dos bens ou ampliam o alívio fiscal; muitos não têm. A análise do tratado depende do país específico, por isso perguntamos logo no início de que país o cliente é cidadão e onde estão os bens.

O problema do cônjuge que não é cidadão

Um cidadão pode deixar um valor ilimitado para o cônjuge cidadão sem pagar imposto sobre heranças. Essa dedução conjugal (marital deduction) não se aplica a transferências para um cônjuge que não seja cidadão americano, mesmo que ele tenha green card e more aqui há décadas. O Congresso temia que o cônjuge não cidadão herdasse sem pagar imposto e depois deixasse o país com os bens.

Há duas soluções. A primeira é um trust doméstico qualificado (qualified domestic trust, ou QDOT), que guarda a herança para o cônjuge sobrevivente sob a administração de um trustee americano e adia o imposto sobre heranças até que o principal seja distribuído ou o cônjuge faleça. A segunda é o cônjuge sobrevivente se naturalizar antes da entrega da declaração do imposto sobre heranças, o que restabelece a dedução. As doações em vida para um cônjuge não cidadão também têm um teto anual especial, maior que a exclusão anual comum, mas longe de ser ilimitado. Nosso artigo sobre doações em vida para reduzir o espólio tributável explica como funcionam as exclusões.

Se alguma dessas questões importa depende de o seu patrimônio somado se aproximar ou não do limite de isenção. Para muitas famílias isso não acontece, e o plano pode registrar o ponto e seguir adiante. Para uma família com uma empresa, vários imóveis ou bens no exterior, essa questão define a estrutura.

Bens no seu país de origem

Um testamento americano pode dispor de bens em qualquer lugar, mas se o país onde os bens estão vai respeitá-lo é outra questão. Muitos países de tradição de direito civil (civil law) aplicam a regra dos herdeiros necessários (forced heirship), que reserva uma parte fixa aos filhos ou ao cônjuge, independentemente do que diga qualquer testamento. Os imóveis são regidos pela lei do lugar onde estão situados. A solução habitual é um conjunto coordenado de testamentos: um para os bens nos EUA e outro, redigido por um advogado local, para os bens no outro país, cada um escrito de forma a não revogar o outro por acidente. A mesma coordenação vale para imóveis em vários estados americanos, como explica nosso artigo sobre planejamento com imóveis em mais de um estado.

Contas e empresas no exterior também geram obrigações de declaração nos EUA enquanto você está vivo, e o seu testamenteiro herda essas obrigações. Uma relação que liste cada bem no exterior, com números de conta e contatos locais, poupa ao espólio meses de adivinhação.

Quem pode ser seu testamenteiro ou tutor

As pessoas que um estrangeiro naturalmente nomearia como fiduciários muitas vezes vivem fora do país, e a lei estadual pode impor limites. Em geral, New York não permite que um não cidadão que mora fora dos Estados Unidos atue como testamenteiro único; um cotestamenteiro residente resolve a questão. Virginia e DC permitem representantes do espólio não residentes, mas acrescentam condições, como nomear um agente local para receber citações ou prestar caução (bond). Os trustees enfrentam questões semelhantes, e um trust com trustee estrangeiro pode ser tratado como trust estrangeiro para fins fiscais, com suas próprias obrigações de declaração. Nossa equipe de testamentos, trusts e administração de inventário verifica essas regras de elegibilidade antes que um nome entre no documento.

A tutela de filhos menores levanta uma questão prática, e não um impedimento legal. Um tribunal da Virginia, de DC ou de New York pode nomear um tutor que more no exterior, mas nesse caso as crianças teriam de se mudar, e o status migratório delas, a escola e os direitos do outro genitor entram em jogo. Nomeie a pessoa em quem você confia, nomeie um substituto que viva nos EUA e pergunte sobre uma nomeação de prontidão (standby) na nossa área de tutela legal se, de outro modo, o cuidado imediato das crianças ficaria incerto.

Status migratório e planejamento para incapacidade

Uma procuração duradoura e uma diretiva médica são ainda mais importantes para um estrangeiro, porque os processos de imigração têm prazos que não param durante uma internação hospitalar. Um procurador com poderes para tratar com o USCIS, assinar formulários e administrar uma empresa mantém vivo um caso pendente. Garanta que a procuração autorize expressamente assuntos de imigração e tributários, já que os modelos genéricos costumam omiti-los.

O que fazer antes de o seu status mudar

A naturalização, o abandono do green card ou a volta para o país de origem reiniciam a análise. Tornar-se cidadão restabelece a dedução conjugal e simplifica o plano. Deixar os Estados Unidos depois de uma residência de longo prazo pode acionar um regime de imposto de saída (exit tax) e afetar a tributação de doações e legados a familiares nos EUA. Se uma mudança está a caminho, o plano deve ser revisto antes que ela aconteça, quando há mais opções disponíveis.

Se você está montando um plano sucessório com green card ou visto, uma consulta com a Capitol Law Partners pode mostrar onde as regras para não cidadãos se aplicam à sua família e como redigir os documentos para contorná-las. Agende uma consulta.

Este artigo tem caráter meramente informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Esta comunicação não estabelece uma relação advogado-cliente.

Sena Sahin. Orientação clara para indivíduos, famílias e proprietários de empresas.

Precisa de ajuda com este tema? Veja nossa página de Trusts e Sucessões ou agende uma consulta.

Back to Blog

Posts semelhantes

Ver todos os posts »