· Personal Injury Law · 6 min read
Indenização por morte por negligência: o que a família pode pleitear
A indenização por morte por negligência cobre perda de renda e de serviços, custos do funeral e, na Virginia, o luto da família. Veja o que cada jurisdição permite e como se prova.
A indenização por morte por negligência (wrongful death damages) é medida pelo que a família perdeu, e não pelo que o falecido sofreu, e as três jurisdições em que atuamos traçam essa linha em pontos diferentes. A Virginia permite que o júri compense a tristeza da família e a perda da companhia. O Distrito de Colúmbia e New York, no momento em que este texto foi escrito, concentram a ação por morte por negligência na perda financeira. Essas diferenças podem mudar muito o valor de um caso idêntico, por isso a primeira pergunta em qualquer caso de lesão fatal é qual lei estadual se aplica e o que ela permite.
Perdas econômicas: sustento, serviços e despesas
Toda lei sobre morte por negligência indeniza a perda financeira da família. O maior componente costuma ser a perda do sustento financeiro: a renda que o falecido teria ganhado e destinado à família pelo resto da vida profissional, ajustada pelas despesas pessoais do próprio falecido e trazida a valor presente. Isso exige provas do histórico de rendimentos, da trajetória profissional, dos benefícios e da expectativa de vida e, em um caso grave, um economista para fazer o cálculo.
A perda de serviços é o segundo componente: o cuidado com os filhos, o trabalho doméstico, a manutenção da casa e o cuidado com um pai ou mãe idoso. Esses serviços são avaliados pelo custo de substituí-los. As despesas com funeral e sepultamento podem ser indenizadas nas três jurisdições. As despesas médicas entre a lesão e a morte também podem ser indenizadas, mas se elas pertencem à ação por morte por negligência ou a uma ação de sobrevivência separada depende do estado; nosso artigo sobre morte por negligência e ação de sobrevivência explica essa divisão. Nossa atuação em casos de morte por negligência monta essa prova a partir de declarações de imposto de renda, registros de pagamento, extratos de benefícios e do testemunho de pessoas que viam o que o falecido fazia pela família todos os dias.
Perdas não econômicas: onde as jurisdições divergem
A lei da Virginia é explícita. Os beneficiários podem ser indenizados por tristeza, angústia mental e consolo (sorrow, mental anguish, and solace), o que inclui a perda do convívio, da companhia, do conforto, da orientação, dos cuidados afetuosos e dos conselhos do falecido. Não há fórmula fixa; o júri atribui um valor com base na relação, e esses danos muitas vezes são a maior parte de uma indenização na Virginia.
A lei de morte por negligência do Distrito de Colúmbia se volta para a perda patrimonial, ou seja, a perda financeira dos beneficiários. O luto e a perda da companhia em geral não são indenizados na própria ação por morte por negligência, embora a ação de sobrevivência separada possa tratar da dor e do sofrimento do próprio falecido antes da morte.
New York limita a indenização por morte por negligência aos prejuízos patrimoniais (pecuniary injuries). Os tribunais interpretam essa expressão de modo a incluir a perda dos cuidados, da atenção e da orientação de um pai ou mãe para um filho, o que tem valor real mesmo não sendo um salário, mas ela exclui o luto da família. O Legislativo aprovou mais de uma vez projetos de lei para incluir danos pelo luto, e todos foram vetados até o momento em que este texto foi escrito. Quem tem um pedido em New York deve confirmar a regra em vigor, porque a mudança, se um dia entrar em vigor, alteraria substancialmente o valor dos casos.
Danos punitivos
As três jurisdições permitem danos punitivos (punitive damages) em alguns casos de morte por negligência, mas apenas para condutas que vão além da negligência comum: dirigir embriagado, uma empresa que escondeu um defeito conhecido, um desprezo imprudente pelas normas de segurança. A lei da Virginia os permite expressamente para condutas dolosas ou temerárias e os limita a um valor fixado em lei. New York e DC exigem uma demonstração igualmente rigorosa. Os danos punitivos são a exceção, não a expectativa, e um pedido deve ser avaliado primeiro pelos danos compensatórios.
Como a indenização por morte por negligência é provada
A seguradora do réu vai contestar cada componente, por isso as provas precisam ser específicas.
- Rendimentos e sustento: declarações de imposto de renda, formulários W-2, contracheques, contratos de trabalho e a projeção de renda futura feita por um perito.
- Serviços: o testemunho de familiares sobre o que o falecido fazia em casa e provas do custo de substituição.
- Companhia e orientação: o testemunho do cônjuge, dos filhos e de amigos; fotografias; provas da participação na vida dos filhos.
- Expectativa de vida e saúde: prontuários médicos que demonstrem que o falecido era saudável antes do evento.
- Contas do funeral e contas médicas: faturas discriminadas.
A culpa comparativa ou a negligência contributiva (contributory negligence) se aplicam aqui como em qualquer caso de lesão. Na Virginia e em DC, a prova de que o falecido contribuiu para o acidente pode impedir totalmente a indenização; em New York, ela reduz o valor proporcionalmente. A negligência que causou a morte precisa ser provada primeiro, e as categorias de perdas disponíveis em um caso comum de lesão, que tratamos no nosso artigo sobre os danos que você pode pleitear em uma ação de lesões pessoais, formam a base.
Como os valores são divididos
A indenização por morte por negligência pertence aos beneficiários indicados na lei, e não ao espólio, e precisa ser dividida entre eles. Na Virginia, o júri pode especificar a divisão, e o tribunal a aprova. Em New York, o Surrogate’s Court faz a repartição com base na perda patrimonial de cada herdeiro legal (distributee). DC reparte entre o cônjuge ou companheiro registrado e os parentes mais próximos conforme as suas perdas. Quando vários familiares têm pedidos concorrentes sobre o mesmo valor, a divisão muitas vezes é a parte mais disputada do caso.
Batidas fatais e erros médicos são as fontes mais comuns desses pedidos; nossas páginas de acidentes de carro, caminhão e motocicleta e de negligência médica descrevem como a responsabilidade é estabelecida em cada caso.
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Este artigo tem caráter meramente informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Esta comunicação não estabelece uma relação advogado-cliente.
Sena Sahin. Orientação clara para indivíduos, famílias e proprietários de empresas.
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