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Ação por morte por negligência e inventário: como se conectam

A ação por morte por negligência passa pelo inventário: abertura do espólio, nomeação de um representante, aprovação judicial de qualquer acordo e distribuição à família.

A ação por morte por negligência passa pelo inventário: abertura do espólio, nomeação de um representante, aprovação judicial de qualquer acordo e distribuição à família.

Uma ação por morte por negligência (wrongful death) não pode ser separada do inventário (probate). A ação é proposta pelo representante do espólio (personal representative), por isso o espólio precisa ser aberto antes que o processo possa começar. O acordo muitas vezes exige aprovação judicial, e os valores são distribuídos segundo regras diferentes das do testamento. As famílias que esperam que o caso de lesão e o espólio sigam por trilhos separados se surpreendem ao descobrir que eles estão ligados em cada etapa. Este artigo explica essa conexão na Virginia, em Washington, DC, e em New York, e as decisões que precisam ser tomadas na ordem certa.

Abertura do espólio e nomeação do representante

O primeiro passo é a habilitação de um representante do espólio. Se o falecido deixou um testamento, o testamenteiro nomeado o apresenta ao tribunal de sucessões (probate court) e recebe as cartas testamentárias (letters testamentary). Se não há testamento, um familiar pede cartas de administração (letters of administration), com preferência geralmente dada ao cônjuge sobrevivente, depois aos filhos maiores de idade e depois aos pais. Na Virginia, isso acontece perante a secretaria do circuit court; em DC, perante a Probate Division do Superior Court; em New York, perante o Surrogate’s Court do condado onde o falecido morava.

O tribunal pode exigir uma caução, que protege os beneficiários contra a má gestão. New York permite cartas de administração limitadas, que autorizam o representante a conduzir apenas a ação por morte por negligência, o que evita uma administração completa quando o falecido tinha poucos outros bens. Nossa atuação em casos de morte por negligência coordena essa etapa com a equipe de testamentos, trusts e administração de inventário do escritório, porque a escolha do representante e o tipo de carta afetam o andamento do processo.

Os deveres do representante perante os beneficiários

Depois de nomeado, o representante do espólio é fiduciário de todos que têm interesse no pedido. Isso inclui os beneficiários da ação por morte por negligência indicados na lei, que podem não ser as mesmas pessoas que herdam pelo testamento, e os credores do espólio, que têm interesse em qualquer valor obtido na ação de sobrevivência. O representante contrata o advogado, toma as decisões sobre o processo e precisa agir no interesse de todos os beneficiários, e não no seu próprio. Um representante que favorece um familiar, fecha um acordo barato para encerrar o processo ou deixa de prestar contas dos valores pode ser destituído e responsabilizado pessoalmente. Nosso artigo sobre quem pode entrar com uma ação por morte por negligência descreve os beneficiários em cada jurisdição.

Aprovação judicial dos acordos

Um acordo em uma ação por morte por negligência não é definitivo quando a seguradora e a família chegam a um valor. A Virginia exige que os acordos em ações por morte por negligência sejam aprovados pelo tribunal, que analisa o valor e a distribuição proposta entre os beneficiários. New York exige que o Surrogate’s Court, ou o tribunal em que a ação tramita, aprove qualquer transação e reparta os valores entre a ação por morte por negligência e eventual ação de sobrevivência, e entre os herdeiros legais (distributees). Os tribunais de DC também supervisionam a distribuição dos valores da ação por morte por negligência entre o cônjuge ou companheiro registrado e os parentes mais próximos. O processo de aprovação exige um requerimento, a notificação de todos os interessados e, muitas vezes, uma audiência.

  • O requerimento identifica os beneficiários e o fundamento da divisão proposta.
  • Os beneficiários menores de idade ou incapazes precisam de um tutor ou de proteção semelhante, e as suas cotas muitas vezes são depositadas em contas com restrição de movimentação ou em acordos estruturados (structured settlements).
  • Os honorários advocatícios e as custas são analisados como parte da aprovação.

Essa etapa acrescenta tempo, mas também protege a família: uma distribuição aprovada não pode ser contestada depois por um beneficiário que alegue ter sido prejudicado.

Como os valores são distribuídos, e por que o testamento pode não prevalecer

Os valores da ação por morte por negligência em geral não passam pelo testamento. Eles pertencem aos beneficiários indicados na lei, nas cotas que a lei ou o tribunal fixam, e nas três jurisdições geralmente ficam protegidos dos credores do próprio falecido. Um falecido com grandes dívidas médicas ou de cartão de crédito não faz a família perder a indenização por morte por negligência para esses credores.

Os valores da ação de sobrevivência são diferentes. Eles compensam o sofrimento e as perdas do próprio falecido, por isso são bens do espólio: ficam sujeitos aos pedidos dos credores, às despesas de administração e aos termos do testamento ou às regras da sucessão sem testamento. A repartição de um acordo entre as duas ações, que discutimos no nosso artigo sobre morte por negligência e ação de sobrevivência, determina, portanto, quanto chega à família e quanto vai para os credores. Na Virginia, a questão é mais simples, porque as ações são unificadas, e a lei determina que a indenização por morte por negligência não responde pelas dívidas do falecido.

Questões de planejamento sucessório que a ação por morte por negligência levanta

Uma indenização por morte por negligência muitas vezes cria questões de planejamento para as pessoas que a recebem. A cota de um filho menor precisa de um custodiante, de um trust ou de supervisão judicial até a maioridade. Um beneficiário com deficiência pode perder benefícios públicos se o dinheiro for pago diretamente, e um trust de necessidades suplementares (supplemental needs trust) pode ser adequado. Um cônjuge sobrevivente que recebe uma quantia significativa pode precisar, pela primeira vez, de um testamento e de procurações. Nossa equipe de trusts e sucessões trata dessas questões em paralelo ao processo, para que a indenização fique protegida quando chegar. Os valores em jogo são descritos no nosso artigo sobre a indenização que a família pode pleitear em um caso de morte por negligência.

A ordem das etapas

Abra o espólio primeiro; nada mais pode começar sem as cartas de nomeação. Envie as notificações de preservação de provas e comece a investigação enquanto a nomeação está pendente. Ajuíze a ação bem dentro do prazo de dois anos a partir do óbito. Negocie tendo em mente a repartição entre as ações e entre os beneficiários. Peça a aprovação, resolva qualquer questão relativa a menores ou a pessoas com deficiência e, então, faça a distribuição. Feito nessa ordem, o inventário apoia a ação em vez de atrasá-la.

Se você está cuidando do espólio de um familiar e de uma possível ação por morte por negligência ao mesmo tempo, uma consulta com a Capitol Law Partners pode colocar as duas no caminho certo. Agende uma consulta.

Este artigo tem caráter meramente informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Esta comunicação não estabelece uma relação advogado-cliente.

Sena Sahin. Orientação clara para indivíduos, famílias e proprietários de empresas.

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