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O que significa distinção nas artes no visto O-1B?
O O-1B não exige que o artista esteja no topo absoluto da sua área. Exige distinção, um padrão mais baixo que o do O-1A. O que isso significa e quem ele abrange.
Em uma petição de O-1B nas artes, habilidade extraordinária significa distinção, e o 8 CFR 214.2(o)(3)(ii) define distinção como um alto nível de realização, demonstrado por um grau de habilidade e reconhecimento substancialmente acima do que normalmente se encontra, a ponto de a pessoa ser proeminente, renomada, líder ou bem conhecida na sua área (prominent, renowned, leading, or well-known). É um padrão real, mas mais baixo que o do O-1A, que exige de cientistas, executivos e atletas a prova de que estão entre o pequeno percentual no topo absoluto da sua área. Entender o que a distinção nas artes exige, e o que ela não exige, é a primeira decisão no caso de qualquer artista.
Distinção nas artes versus habilidade extraordinária na ciência
A regulamentação traça essa linha de propósito. O reconhecimento em uma área criativa não se parece com o reconhecimento em um laboratório: não existem contagens de citações, e as instituições que conferem prestígio são festivais, críticos, casas de espetáculo e publicações. Por isso, a definição regulamentar para ciência, educação, negócios e esportes exige uma pessoa no topo absoluto da área, enquanto a definição para as artes exige distinção. O artista de O-1B não precisa ser conhecido do grande público. Ele precisa demonstrar que as pessoas da área, e os veículos e instituições que importam nela, o consideram proeminente. Nossa página do visto O-1B para artistas e criativos apresenta os dois padrões do O-1B; a página do visto O-1A por habilidade extraordinária mostra quanto mais alto fica o padrão para ciência e negócios. Um alerta: o padrão das artes é mais baixo apenas para as artes. Os profissionais de cinema e televisão são avaliados por um teste separado e mais rígido, o de “realização extraordinária” (extraordinary achievement), explicado no artigo sobre o O-1B para cinema e televisão.
Quem conta como profissional das artes
A regulamentação define as artes como qualquer área de atividade ou empreendimento criativo e cita como exemplos, sem limitar a lista, as belas-artes, as artes visuais, as artes culinárias e as artes cênicas. Ela também vai além dos intérpretes e dos criadores principais e alcança as pessoas essenciais, listando diretores, cenógrafos, iluminadores, designers de som, coreógrafos, coreólogos, regentes, orquestradores, preparadores, arranjadores, supervisores musicais, figurinistas, maquiadores, mestres de voo cênico (flight masters), técnicos de palco e adestradores de animais. Como a lista é aberta, chefs de cozinha, estilistas, ilustradores, DJs, tatuadores e artistas de games podem se enquadrar quando o trabalho é criativo e o reconhecimento está documentado. A pergunta que o USCIS faz é se o trabalho proposto nos EUA está na área da sua distinção. Um cantor que vem para atuar, ou um designer que vem para administrar um negócio de varejo, quebra esse vínculo e se expõe a uma negativa.
Como o USCIS testa a distinção: o prêmio ou os três critérios
O teste tem duas etapas. Primeiro, você demonstra uma indicação ou o recebimento de um prêmio nacional ou internacional significativo (a regulamentação cita como exemplos o Oscar, o Emmy, o Grammy e o prêmio do Directors Guild) ou pelo menos três de seis critérios:
- Papel principal ou de protagonista em produções ou eventos de reputação destacada.
- Reconhecimento nacional ou internacional comprovado por material publicado por você ou sobre você em grandes jornais, publicações especializadas, revistas ou outras publicações.
- Papel principal, de protagonista ou essencial em organizações e estabelecimentos de reputação destacada.
- Histórico de grande sucesso comercial ou de crítica, como bilheteria, audiência ou posição na área.
- Reconhecimento significativo de organizações, críticos, órgãos governamentais ou outros especialistas reconhecidos, em depoimentos que demonstrem a autoridade de quem escreve.
- Salário alto ou outra remuneração substancial em comparação com outros profissionais da área.
Segundo, o oficial analisa o conjunto das provas para decidir se ele demonstra distinção. Três critérios atendidos de forma frágil ainda podem falhar nessa segunda análise. Nas artes, e somente nas artes, a regulamentação também admite provas comparáveis (comparable evidence) quando um critério não se aplica facilmente à sua ocupação; um muralista não tem bilheteria, então a petição pode substituí-la por encomendas e instalações públicas. A lista de provas do O-1B para músicos e atores indica os documentos que atendem a cada critério.
Onde os artistas ficam aquém
A maioria das petições de O-1B nas artes que não dão certo tem as mesmas lacunas. O reconhecimento é local: boas críticas em uma cidade, nenhuma imprensa nacional ou especializada. A imprensa é produzida pelo próprio artista: um post de blog, um release ou uma entrevista que ele mesmo arranjou, sem nenhum veículo independente. As produções são reais, mas a reputação delas nunca é documentada, então um papel principal não prova nada a um oficial que nunca ouviu falar do teatro. Os depoimentos elogiam o artista, mas não dizem nada sobre a posição de quem escreve, e a carta não consegue demonstrar autoridade. As provas de remuneração mostram uma boa renda sem nenhuma comparação com a área. Tudo isso pode ser corrigido com tempo e esforço, mas nada disso se corrige com adjetivos na carta da petição.
Se você ainda não chegou lá
A distinção pode ser construída. Artistas que estão a um ou dois anos do padrão normalmente precisam de imprensa independente, papéis principais documentados em casas ou produções cuja reputação possa ser comprovada e um ou dois depoimentos de críticos ou instituições. Enquanto isso, outras classificações podem se encaixar: um grupo que faz turnê junto pode se qualificar para o P-1 pelo teste mais baixo de “reconhecimento internacional” (internationally recognized), descrito na nossa página do visto P-1 para atletas e artistas, e um programa culturalmente único pode se encaixar no P-3. Nenhum deles é um atalho para o O-1B, mas os dois podem trazer você aos Estados Unidos enquanto o histórico cresce.
Se você é artista e está avaliando se o seu histórico demonstra distinção, uma consulta com a Capitol Law Partners pode analisar as provas à luz dos critérios do O-1B. Agende uma consulta.
Este artigo tem caráter meramente informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Esta comunicação não estabelece uma relação advogado-cliente.
Cagatay Ersoy. Estratégia prática para fundadores, investidores e empresas em crescimento.
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