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O que acontece se você morrer sem testamento nos EUA?

Sem testamento, a lei estadual escolhe seus herdeiros, o tribunal escolhe o administrador e um juiz escolhe o tutor dos seus filhos. Veja como isso funciona na prática.

Sem testamento, a lei estadual escolhe seus herdeiros, o tribunal escolhe o administrador e um juiz escolhe o tutor dos seus filhos. Veja como isso funciona na prática.

Quando alguém morre sem testamento, o estado não fica com os bens, mas fica com as decisões. Uma lei chamada lei de sucessão sem testamento (intestacy law) define os herdeiros e as respectivas quotas, um tribunal nomeia quem vai administrar o espólio e um juiz, e não os pais, escolhe quem vai criar os filhos menores. O resultado muitas vezes fica próximo do que a pessoa teria desejado e, às vezes, não tem nada a ver com isso. Este artigo explica o que acontece se você morrer sem testamento na Virginia, no District of Columbia e em New York, e quais partes do seu patrimônio essas regras não alcançam.

A lei decide quem herda quando você morre sem testamento

Cada estado fixa uma ordem de herdeiros. O cônjuge e os filhos vêm primeiro, depois os pais, depois os irmãos e seus descendentes e, em seguida, parentes mais distantes. As quotas variam de estado para estado de maneiras que surpreendem as pessoas.

Na Virginia, o cônjuge sobrevivente recebe todo o espólio, a menos que o falecido tenha deixado filhos ou descendentes que não sejam também do cônjuge; nesse caso, o cônjuge recebe um terço e esses descendentes dividem os dois terços restantes. Em New York, o cônjuge com filhos recebe um valor fixo previsto em lei mais a metade do saldo, e os filhos dividem o resto. No District of Columbia, o cônjuge recebe uma fração quando o falecido deixa descendentes ou pais, e o espólio inteiro somente quando não há nenhum dos dois. Em qualquer dessas jurisdições, uma família recomposta pode acabar com o cônjuge sobrevivente dono de uma casa em conjunto com os enteados.

A lei reconhece apenas vínculos jurídicos. O companheiro não casado não herda nada, por mais tempo que o casal tenha vivido junto. O enteado que nunca foi adotado não herda nada. O filho nascido fora do casamento só herda do pai se a paternidade for reconhecida conforme as regras do estado. Amigos, instituições de caridade e cuidadores não estão na lista. O testamento é a única forma de amparar qualquer um deles, e é isso que nossa equipe de testamentos, trusts e administração de inventário explica a todo cliente que supõe que as regras supletivas vão resolver a questão.

O tribunal nomeia o administrador

Sem testamento, ninguém foi indicado para conduzir o espólio. Uma pessoa interessada precisa pedir ao tribunal que a nomeie administradora (administrator), e a lei estadual define a ordem de preferência: normalmente o cônjuge sobrevivente e, depois, os filhos ou outros herdeiros. Se os parentes discordarem sobre quem deve atuar, o tribunal realiza uma audiência. Em geral, o administrador precisa prestar caução com fiador (bond with surety), que um testamento pode dispensar, mas que o tribunal tem poder limitado para dispensar em um espólio sem testamento. O espólio então passa pela mesma sequência de notificações, relação de bens, cobranças de credores, impostos e partilha descrita no nosso artigo sobre como funciona o inventário, com as quotas legais no lugar das disposições de um testamento. Espólios sem testamento raramente são mais simples que os espólios com testamento e muitas vezes são mais difíceis, porque a família precisa chegar a acordo sobre tudo o que o testamento teria resolvido.

Um juiz escolhe o tutor dos filhos menores

Se os dois pais faltarem, o tribunal nomeia um tutor para os filhos. O juiz considera o melhor interesse da criança e ouve os parentes que querem assumir a função, mas, sem uma nomeação por escrito dos pais, não há presunção a favor de ninguém. Avós dos dois lados, tias e tios podem fazer o pedido, e o tribunal pode nomear alguém que os pais jamais teriam escolhido. A herança dos filhos também fica sob supervisão judicial. Um menor não pode receber bens diretamente, então o tribunal nomeia um tutor dos bens (guardian of the estate) ou um curador (conservator), que deve prestar contas ao tribunal até a criança completar dezoito anos, quando ela recebe tudo sem nenhuma condição. O testamento pode nomear o tutor e deixar a herança em um trust que faça os pagamentos em uma idade mais sensata. O processo de tutela legal continua se aplicando, mas a escolha que os pais deixaram por escrito tem peso real para o tribunal.

O que a lei de sucessão sem testamento não controla

A lei de sucessão sem testamento rege apenas os bens sujeitos a inventário: os bens registrados somente em nome do falecido e sem designação de beneficiário. Seguros de vida, contas de aposentadoria, contas com pagamento ou transferência por morte e bens em copropriedade com direito de sobrevivência passam ao beneficiário indicado ou ao coproprietário sobrevivente conforme seus próprios termos. Para muita gente, esses são os maiores bens, o que significa que a lei pode controlar a casa e o carro enquanto a conta de aposentadoria vai para onde um formulário de beneficiário antigo mandar. O resultado pode ser desequilibrado: um dos filhos recebe a conta pela designação e ainda divide o espólio do inventário em partes iguais com os irmãos.

Espólios pequenos e sucessão parcial sem testamento

As três jurisdições oferecem procedimentos simplificados para espólios pequenos, abaixo de um valor fixado em lei, que permitem aos herdeiros receber os bens por declaração juramentada ou por um pedido judicial abreviado, em vez da administração completa. Os limites e os procedimentos variam, então verifique as regras atuais antes de supor que um espólio se enquadra. A sucessão parcial sem testamento também é comum: um testamento que dispõe de alguns bens, mas não tem cláusula residual (residuary clause), ou que nomeia um beneficiário que morreu antes sem indicar substituto, deixa os bens não abrangidos para serem transmitidos pela lei de sucessão sem testamento. Por isso, um testamento mal redigido pode gerar a mesma incerteza que a falta de testamento.

O que custa, de fato, morrer sem testamento

Morrer sem testamento normalmente não significa que a família perde o patrimônio. Significa que ela perde o controle sobre quem o recebe, quem o administra, quem cria os filhos e quando os filhos recebem o dinheiro. Também costuma custar mais: prêmios de caução, nomeações contestadas e a ineficiência de uma família negociando cada decisão por meio do tribunal. Um testamento básico e os demais documentos da nossa lista de documentos do planejamento sucessório, preparados pela área de Trusts e Sucessões do escritório, substituem os palpites da lei pelos seus desejos reais.

Se você não tem testamento, ou se a sua família está lidando com um espólio sem testamento, uma consulta com a Capitol Law Partners pode mostrar quem herda pelas regras atuais e o que fazer em seguida. Agende uma consulta.

Este artigo tem caráter meramente informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Esta comunicação não estabelece uma relação advogado-cliente.

Sena Sahin. Orientação clara para indivíduos, famílias e proprietários de empresas.

Precisa de ajuda com este tema? Veja nossa página de testamentos, trusts e administração de inventário ou agende uma consulta.

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