· General Counsel & Advisory · 6 min read
Como estruturar a entrada de uma empresa estrangeira no mercado americano
Para entrar no mercado americano, a empresa estrangeira costuma escolher entre filial e subsidiária e, depois, define o estado, as obrigações fiscais e os vistos da equipe.
A maioria das empresas estrangeiras estrutura sua entrada no mercado americano por meio de uma subsidiária nos EUA, geralmente uma corporation ou uma LLC, em vez de operar como filial (branch) da matriz. Uma subsidiária mantém as responsabilidades americanas dentro de uma entidade americana, oferece a clientes e bancos dos EUA uma contraparte familiar e dá sustentação às petições de visto que trazem a equipe-chave. Uma filial é mais simples no papel, mas expõe a matriz diretamente a processos judiciais e a obrigações fiscais nos EUA. A estrutura é apenas a primeira decisão; o estado, a configuração tributária, os contratos e o plano de imigração decorrem dela.
Nossa equipe de orientação jurídica estratégica para empresas coordena essas escolhas com os assessores tributários e de imigração da empresa, para que as peças funcionem juntas, em vez de puxarem em direções diferentes.
Filial ou subsidiária
Filial
A empresa estrangeira se registra para exercer atividades em um estado americano e opera com o próprio nome. Não há uma entidade separada, de modo que os bens da matriz ficam expostos a reclamações nos EUA, e a própria matriz apresenta declarações de imposto americanas sobre a renda ligada às suas atividades nos EUA. Uma filial também pode estar sujeita ao imposto sobre lucros de filial (branch profits tax), concebido para se aproximar do imposto que uma subsidiária pagaria sobre os dividendos distribuídos à matriz estrangeira. As filiais servem para atividades limitadas e de baixo risco, e algumas empresas usam uma por um curto período antes de constituir uma subsidiária.
Subsidiária
Uma corporation ou LLC americana pertencente à matriz. Ela assina contratos, contrata pessoas e paga tributos em nome próprio. A exposição da matriz geralmente fica limitada ao seu investimento, desde que a subsidiária seja adequadamente capitalizada e administrada como uma empresa separada, com contas bancárias, registros e decisões próprios. Misturar recursos ou ignorar formalidades pode permitir que um tribunal desconsidere essa separação.
Corporation ou LLC? A C corporation é a escolha habitual para uma matriz estrangeira, porque é claramente contribuinte por direito próprio e atende às expectativas da maioria dos investidores. Uma LLC de sócio único pertencente a uma matriz estrangeira é tratada, por padrão, como entidade desconsiderada (disregarded entity) para fins fiscais americanos, o que pode levantar questões de declarações e de tratados que a matriz não esperava. Obtenha orientação tributária nos dois países antes de escolher.
Como escolher o estado para a entrada no mercado americano
Delaware é popular por seu direito societário e por seus tribunais, mas constituir a empresa lá não dispensa você dos outros estados. Se o seu escritório e os seus funcionários estiverem na Virginia ou em New York, a empresa também precisa se registrar nesse estado e seguir suas regras tributárias e trabalhistas. Muitas empresas com um único local nos EUA simplesmente se constituem nesse estado e evitam pagar e manter dois registros. As expectativas dos investidores, o tamanho previsto da operação americana e os planos futuros devem orientar a escolha. Os documentos exigidos para abrir uma empresa nos Estados Unidos são, em linhas gerais, parecidos de um estado para outro.
Configuração tributária e obrigações de declaração
Toda entidade americana precisa de um Employer Identification Number (EIN). Um sócio estrangeiro sem número de Social Security pode obtê-lo, embora nem sempre pelo pedido online padrão. Uma corporation americana com pelo menos 25% de participação estrangeira geralmente precisa apresentar o Form 5472 para informar transações com partes relacionadas, e as LLCs de sócio único com titular estrangeiro têm um dever de declaração semelhante. As multas por deixar de apresentar esses formulários podem ser significativas. As regras de preços de transferência (transfer pricing) também exigem que as cobranças entre matriz e subsidiária reflitam condições de mercado (arm’s length).
A declaração de beneficiários finais (beneficial ownership) prevista no Corporate Transparency Act mudou várias vezes desde que entrou em vigor e, no momento em que este texto foi escrito, as regras federais se concentram em entidades constituídas fora dos EUA que se registram para exercer atividades no país. Verifique as exigências atuais da FinCEN ao constituir ou registrar a empresa.
Contratos, propriedade intelectual e pessoas
Formalize cedo os contratos entre as empresas do grupo: um contrato de prestação de serviços ou de distribuição entre matriz e subsidiária, uma licença de PI que permita à subsidiária usar a marca e a tecnologia da matriz e um acordo de taxa de administração ou de compartilhamento de custos. Esses documentos dão sustentação à posição tributária e deixam claro quem é dono de quê. Registre as principais marcas no USPTO, porque um registro no seu país de origem não protege, por si só, a marca nos EUA.
Para clientes americanos, adapte os seus termos contratuais à lei dos EUA, incluindo cláusulas de limitação de responsabilidade, de lei aplicável e de solução de disputas que funcionem nos tribunais ou na arbitragem americanos. Para contratações nos EUA, prepare cartas de oferta com vínculo at-will (rescindível a qualquer tempo), políticas compatíveis com a lei estadual e a verificação pelo Formulário I-9.
Vistos para a equipe transferida
A estrutura da entidade define as suas opções de imigração. A transferência intraempresa L-1 exige uma relação qualificada entre a empresa estrangeira e a americana, como matriz e subsidiária ou uma filial, e o funcionário precisa ter trabalhado para a empresa estrangeira por pelo menos um ano contínuo nos três anos anteriores à transferência. Um novo escritório nos EUA pode obter a aprovação do L-1 por um período inicial de um ano, com prova de instalações físicas e de um plano realista de crescimento. Os vistos de investidor e de comerciante por tratado (E-2 e E-1) são outro caminho para nacionais de países signatários de tratados.
Com a entidade americana em funcionamento, nossos serviços de consultoria jurídica externa e assessoria podem apoiá-la no dia a dia, dos contratos com clientes às questões trabalhistas e de compliance.
Se a sua empresa está planejando a entrada no mercado americano, a Capitol Law Partners pode coordenar a estrutura societária, os contratos e a estratégia de vistos com os seus assessores no país de origem. Agende uma consulta.
Este artigo tem caráter meramente informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Esta comunicação não estabelece uma relação advogado-cliente.
Cagatay Ersoy. Estratégia prática para fundadores, investidores e empresas em crescimento.
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